Prateleira envergada e produto esquecido no fundo começam numa gôndola mal dimensionada. Um passo a passo para calcular carga, profundidade e altura antes de pedir orçamento.
Prateleira envergada, produto escorregando para o fundo e cliente que não alcança o item de cima: quase sempre esses problemas começam numa gôndola escolhida pelo preço do metro, sem olhar para o produto que vai em cima dela. Antes de pedir orçamento, vale passar por quatro medidas.
1. Carga por prateleira: comece pelo produto mais pesado
Cada nível de prateleira tem uma capacidade de carga distribuída, e a base costuma suportar mais que as prateleiras de cima. O erro comum é dimensionar pela média do mix. O certo é olhar o setor mais pesado.
- Faça a conta simples: peso de uma unidade × quantidade de frentes × profundidade (quantas unidades cabem uma atrás da outra).
- Exemplo: 10 frentes de pacotes de 5 kg, com 3 pacotes de profundidade, somam 150 kg numa única prateleira. Isso é muito diferente de um setor de higiene pessoal.
- Setores como bebidas, sacarias, rações, tintas e argamassas pedem chapa e colunas mais robustas, ou estruturas tipo mini porta-pallet.
Peça ao fabricante a capacidade de cada nível por escrito e considere uma margem de segurança. Carga além do previsto não quebra a gôndola no primeiro dia, mas deforma a prateleira com o tempo.
2. Profundidade: proporcional à embalagem
Prateleira funda demais parece vantagem, porque cabe mais, mas o produto do fundo vira estoque esquecido, vence ou empoeira. Prateleira rasa demais obriga reposição constante.
- Meça a embalagem mais comum de cada setor e escolha uma profundidade que comporte poucas unidades de fundo, suficientes para o intervalo entre reposições.
- É comum a base ser mais profunda que as prateleiras de cima, formando um degrau que melhora a visão do cliente e aguenta o produto mais pesado embaixo.
3. Altura: zonas de venda
A altura da gôndola define quantos níveis cabem, mas nem todo nível vende igual.
- Altura dos olhos e das mãos: é a faixa que mais vende. Reserve para produtos de maior margem e marcas que você quer destacar.
- Parte baixa: funciona para itens pesados, volumosos e de compra planejada, que o cliente procura de qualquer jeito.
- Parte alta: boa para itens leves e para estoque de apoio. Evite colocar ali o que é pesado ou frágil.
Gôndolas centrais mais baixas mantêm a visão do salão aberta. Gôndolas de parede podem ser mais altas, porque não bloqueiam ninguém.
4. Regulagem e acessórios
Gôndolas com colunas perfuradas permitem mudar a altura das prateleiras quando o mix muda, sem trocar o móvel. Confira também se a linha tem acessórios compatíveis: ganchos, divisórias, porta-preços, cestos aramados, bandejas inclinadas e testeiras. Isso define quanto a gôndola vai se adaptar à loja nos próximos anos.
Checklist para levar ao fornecedor
- Planta da loja com medidas, pilares, portas e posição dos caixas.
- Lista dos setores e do produto mais pesado de cada um.
- Profundidade média das embalagens por setor.
- Alturas desejadas para gôndolas de parede e centrais.
- Acessórios necessários por setor.
- Cor e acabamento, para manter o padrão visual da loja.
Perguntas frequentes
Gôndola mais barata aguenta o mesmo peso?
Nem sempre. A diferença costuma estar na espessura da chapa, no perfil da coluna, nos reforços da prateleira e na qualidade da solda. Duas gôndolas com a mesma medida externa podem ter capacidades bem diferentes.
Dá para reforçar só um setor?
Dá. É comum combinar gôndolas padrão na maior parte da loja com módulos reforçados ou mini porta-pallet nos setores pesados.
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